sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Feng Shui numa Abordagem Transpessoal



Segundo a física quântica tudo o que existe está interligado energeticamente e esta conexão é auto influenciada pelo posicionamento frente à percepção pessoal. O paradigma quântico nos permite ir além da realidade de nossos cinco sentidos, cientificamente somos então autorizados a ampliar a abordagem do universo que nos circunda.

Baseados nesses conceitos, podemos intuir que existe uma prévia disposição energética, antes da manifestação da forma, configurando a orientação e o movimento dos átomos e moléculas, vibrando num campo eletromagnético e possibilitando assim a materialização da realidade de acordo com a consciência da percepção pessoal.

A construção passa a ser compreendida como um espaço dinâmico e atuante, em interação direta com seu morador. O Feng Shui, numa abordagem transpessoal, se propõe a maximizar o autoconhecimento através de uma conexão com a alma da casa. 

Alma esta que se manifesta através dos sons e aromas especiais, texturas e sabores deliciosos, através da plenitude dos nossos sentidos neste local único que concretiza nossos gostos e estética pessoal. Nessa vinculação podemos encontrar o próprio eu, descobrindo quem sou realmente e quem eu gostaria de ser, onde gostaria de evoluir.

É possível enxergar a minha vida mediante relação que tenho com a minha casa. A partir de uma significação da casa com um ‘útero’, que pode além de cumprir com as necessidades básicas existencial de refúgio e amparo também gerar oportunidades que me permitam desenvolver a plenitude do meu potencial de individualidade, posso ali registrar meu próprio modo de ser, minha história autobiográfica, e, consequentemente, me reconhecer.

Percebemos de forma diferenciada, agimos, reagimos e nos relacionamos de forma mais completa quando nos comprometemos com o processo de transformação interior, quando aceitamos novas dimensões da realidade e ampliamos, desta forma, a consciência sobre tudo o que existe.

Lucimara Stráda - nov/12 - www.harmonizare.com.br

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Psicologia da Casa



Um Passeio pela Casa
A forma como organizamos, decoramos, cuidamos da nossa casa pode revelar sobre nossos sentimentos, pensamentos e atuação no mundo. Projetamos neste local que ancora nossa memória e nossa história de vida a percepção que temos a nosso próprio respeito e sobre como interpretamos o mundo.

A atenção dá origem a um desejo de harmonia. A atenção, sozinha, inspira tudo o que precisa ser feito. Ao olhar com atenção para os cantos desarrumados, para armários entulhados, livros, revistas e jornais empilhados, infiltrações, rachaduras, vasos vazios, jardim abandonado, pintura para ser refeita, pó sobre os incontáveis enfeites da estante que já deixaram de ser vistos, podemos clarificar as projeções inconscientes para impulsionar o processo de individuação.

O conceito de individuação foi criado por Jung para descrever um processo de ampliação da consciência da personalidade individual para uma totalidade do Si-mesmo. A partir dessa ampliação da consciência a pessoa identifica-se menos com condutas, crenças, valores sociais, está ancorada por um mecanismo de auto-realização e tem assimilado as quatro funções (sensação, pensamento, intuição e sentimento), definidas conceitualmente em sua teoria dos Tipos Psicológicos.[1]

O convite é para olhar atentamente para dentro, de si e da casa, interpretar os aspectos de nossa vida ali refletidos, para decifrar e mudar, criar novos hábitos sem ilusões de impossibilidades. Ter coragem para assumir nossos desejos e nos responsabilizarmos por eles! E então maximizar um comprometimento efetivo com as mudanças que nos desafiam!
Vamos prosseguir este passeio pela casa construindo uma analogia da Casa com a psique, ou seja, com as várias instâncias da nossa mente consciente e inconsciente.

A Fachada da casa é interpretada como a persona, a máscara utilizada para convivência social. O Telhado simboliza o local que abriga a consciência. Numa casa com níveis, no Sotão encontram-se analogamente memórias, desejos, pensamentos reprimidos, pode-se associar aqui a conexão com o Self. O Porão, respectivamente, está relacionado ao inconsciente, aos instintos, à sombra, também com a mente inconsciente e a intuição. O chão ou piso da casa representa a sustentação, a base, o limite entre a consciência e o inconsciente.[3]

A Porta de entrada principal da casa simboliza a transição entre dois cenários, externo e interno, consciente e inconsciente, sociabilidade e intimidade, exposição e proteção. Nesta simbologia acrescentamos o convite à passagem. Toda porta se abre para um caminho. Possuindo um valor psicológico e dinâmico, faz um convite para passar a um estado diferenciado. Simbolicamente, essa passagem pode ir do profano ao sagrado, assim como os portais dos templos e das catedrais, da luz para a sombra, pode abrir o acesso a um outro nível de consciência.

Corredores podem ser associados a veias, quando ligam os diversos cômodos estão permitindo uma conexão interna no sentido horizontal. Compridos ou curto, estreitos ou amplos, claros ou escuros, liberados ou entulhados, decorados ou abandonados. Como estão os trajetos da vida?

Escadas oportunizam acessos a níveis diferentes, entre um andar e outro existe uma escada que precisa ser trilhada, elas interligam energeticamente a vida no sentido vertical. Posso atentar para esta área da casa para ancorar um movimento de descida às sombras (porão) ou de subida aos insights (sótão).

Associada à alquimia da transformação dos alimentos, a Cozinha é o local onde também se processam as transformações e o resultado desejado está relacionado com nutrição, amparo, afeto. Pode aqui ser o primeiro local onde a própria psique se alquimiza mediante fogo da transformação, matendo a essência mas alterando a forma. Talvez a Cozinha esteja com os armários entulhados, uma que outra portinha desalinhada, gaveta meio que emperrada. Será que também o nosso peso está excessivo, estamos retendo emoções? Ou o coração é percebido apertado, a melancolia e a solidão precisam ser interpretados?

Na Sala de estar é onde acontecem as reuniões sociais, o relacionar-se com amigos e conhecidos. Adentrar atentamente neste espaço pode revelar a imagem que exteriorizamos, as crenças básicas sobre quem somos e sobre o que é esperado de nosso posicionar-se na vida. Como está este local? A espuma do sofá já era ou escapou uma mola? A Sala está sempre bagunçada, objetos fora do lugar? O abajur com a lâmpada queimada? E os meus amigos, as minhas parcerias, há quanto tempo não sei muito bem deles? E os meus objetivos, estou conseguindo concretizar? Encontro na Sala uma perspectiva sobre meus relacionamentos sociais, e também meu posicionamento de ordem e questões práticas.

O Dormitório ancora aspectos do próprio Self que residem na intimidade e na entrega emocional, na vulnerabilidade de uma vinculação de alma com o outro. Perguntas relacionadas com romance e vida sexual surgem neste cômodo. Como será que anda a vinculação efetiva com o meu desejo de encontrar um parceiro?

Além de urgências instintuais, o Banheiro também está relacionado com a Espiritualidade. Ali somos quem somos, sem máscaras ou representações. Esse espaço também pode significar purificação e auto renovação. Neste espaço paradoxal da casa podemos descobrir sobre a transcendência e nossa conexão com o Divino, encontrar nossa espiritualidade no único local da casa onde é permitido trancar a porta sem ser incomodado! Louças e azulejos amarelados, rejuntes manchados, torneira pingando, toalhas puídas, espelho oxidado? Quase sem espaço para relaxar e me entregar? Ok, normalmente podemos conviver mais um pouco com esse descaso. Usualmente deixamos isso por último!

Ao arrumar a casa deixamos ali um pouco da própria energia, que vai impregnando energeticamente esse local e criando um cenário único, sintonizado com nosso saber de Si, mesmo que inconsciente. É a combinação de atenção, dedicação, organização e vinculação que pode criar a sinergia para a transcendência.

É no um refúgio da nossa residência que também temos permissão para uma plena e livre expressão pessoal. A imagem arquetipal de refúgio remonta à antiguidade quando os ancestrais utilizavam as cavernas para proteção às ameaças externas, tanto de intempéries naturais quando do ataque de predadores. Esse sentimento primitivo permanece conosco e aciona sensações de abrigo, conforto, amparo e segurança quando retornamos à casa, atributos esses essenciais para ancorar nosso bem estar físico e psicológico.

Acionamos o campo das sensações em nossa casa quando estamos entregues e integrados ao ambiente reconhecidamente familiar, quando significamos um pertencimento pessoal a este local.

Aromas, sons, imagens, decoração, estética agradável aos sentidos, criam condições para que a atenção se volte para nós mesmos. Na simplicidade, sem excessos de móveis e objetos, e com o ambiente organizado, conseguimos racionalmente prestar atenção aos nossos sentimentos, pensamentos, emoções.

Vestir a casa com carinho, com delicadeza e conceder-lhe a real importância de lar, ninho, colo é decisão de primeira ordem. Arrumar a casa revela outras perspectivas, acelera mudanças, concretiza desejos, traz novas definições!

Lucimara Stráda - nov/12 - www.harmonizare.com.br          


[1] GUIMARÃES, C. A. F. Carl Gustav Jung e os fenômenos psíquicos. São Paulo: Madras, 2004.
[2] BACHELARD, Gaston. A Poética do Espaço. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
[3] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Rio de Janeiro: Editora José Olímpio, 2002.

Encontro da Totalidade do Ser na sua Residência



O Ser Integral Significado no Local de Moradia

Carl Gustav Jung (1875-1961) dedicou boa parte da sua vida no estudo da consciência humana que também é o objeto de estudo da Psicologia Transpessoal ao conceituar o Ser Integral.

Para Jung cada fase de evolução da consciência é acompanhada por um símbolo, para ele o mecanismo que transforma a energia é o símbolo. Nesta base teórica ancoramos as significações universais ou arquetipais referentes ao local de moradia para impulsionar uma transformação da consciência pessoal.

O envolvimento de Jung com a alquimia e a influência dos estudos do seu paciente, o físico Wolfgan Pauli, sobre a mecânica quântica, levaram ambos a concluir que existe um outro nível, que não é material nem psíquico, por detrás tanto da matéria quanto da psique.

A mecânica quântica considera que a matéria pode estar em mais de um estado físico ao mesmo tempo. E neste ponto se aproxima do conceito de sincronicidade. Jung desenvolveu esse conceito para definir acontecimentos que se relacionam mediante mesma significação, não por causalidade.

De acordo com os conceitos de Jung, a sincronicidade acontece quando a realidade psíquica e a realidade física se encontram. Eventos sincronísticos fizeram com que ele definisse arquétipo como algo mais do que um fenômeno psicológico, também um modelo padrão que pertence à própria realidade e que pode tanto afetar a psique quanto a matéria.

Acontece a sincronicidade quando eventos ou situações específicas coincidem num padrão significativo. A partir da compreensão espontânea desse fenômeno, que passa longe da via mental, pode-se ter revelações instantâneas. A isso Jung denominava ‘insight’. Conclui-se assim que eventos sincrônicos entre corpo e psique podem oportunizar insights de evolução pessoal.

Neste substrato que existe por detrás da matéria e da psique, num estado indiferenciado de energia, se localizam os arquétipos, esse é o nível da psique coletiva.

Arquétipo pode ser compreendido como as ideias de um primeiro modelo ou imagem de alguma coisa, um padrão original que contem todas as coisas existentes mas que não possui forma fixa ou pré-definida.Jung usou esse termo para conceitualizar estruturas que servem de molde para a expressão e o desenvolvimento da psique, a partir de “imagens primordiais” que existem desde os tempos mais antigos.

Nas palavras de Jung:
 “Existem tantos arquétipos quantas as situações típicas da vida. Uma repetição infinita gravou estas experiências em nossa constituição psíquica, não sob a forma de imagens saturadas de conteúdo, mas a princípio somente como formas sem conteúdo que representavam apenas a possibilidade de um certo tipo de percepção e de ação.” [1]

Jung dizia que o inconsciente traz conteúdos internos para se expressar sobre as situações externas mediante um gatilho de projeção, sem a participação do ego.

Neste processo de projeção acontece uma conexão direta entre o conteúdo psíquico e o objeto ou situação que serve à projeção e desta forma é possível perceber, interpretar ou traduzir conteúdos inconscientes que oportunizam uma evolução da consciência.

Segundo Ken Wilber a psique é reconhecido no nível do ego, a integração psique/soma é trabalhada no nível existencial, no nível transpessoal a pessoa pode experimentar e reconhecer em si mesmo experiências psicoespirituais mais amplas. E no nível da mente, que para ele expressa a unidade, a Consciência une-se com a energia básica do Universo.[2]

Na Abordagem Transpessoal a busca é do despertar da Consciência, aqui ancorada mediante integração dos elementos do eixo experiencial (razão, emoção, intuição e sensação).

Numa interpretação simbólica da casa encontra-se um recurso de expansão da consciência mediante interpretações de conteúdos psíquicos uma vez que todo símbolo exprime projeções inconscientes. Na relação de totalidade com o mundo, o habitar humano constitui sua característica essencial.

Quando olhamos efetivamente para a nossa casa podemos entender mais sobre nós mesmos, na atividade de habitar podemos nos aproximar de nossa essência, alcançar a plenitude do nosso verdadeiro ser. Habitamos a nossa casa antes de habitarmos o mundo.

A prática de olhar atentamente para o interior deste espaço de moradia com o objetivo de descobrir-se projetado nos próprios gostos, decoração, estética pessoal oportuniza um processo de trazer à consciência características íntimas que nos aproximam da totalidade do Ser.

Lucimara Stráda - nov/12 - www.harmonizare.com.br
 


[1] HALL, Calvin S. & NORDBY, Vernon J. Introdução à Psicologia Junguiana. São Paulo: Cultrix, 2005.

[2] WILBER, Ken. Psicologia Integral: consciência, espírito, psicologia, terapia. São Paulo: Cultrix, 2002.

O Local de Moradia como Reflexo do Seu Habitante



O Local de Moradia como Reflexo do Seu Habitante

A residência, a partir de uma referência básica de proteção, sustentação e amparo, pode influenciar um processo de significação e identificação pessoal. Cada construção traz impressa as características de seus moradores. A residência é feita à sua imagem e semelhança, é um específico universo particular de cada residente.

Através de seus cômodos, móveis e objetos reunidos, pode-se traduzir valores, crenças, conceitos pessoais. A personalidade se expressa tal qual autobiografia a partir dos momentos, das vivências e histórias cotidianas. É possível olhar ao redor e identificar o que não reflete mais a realidade do momento, o que já está em tempo de mudança.

A expectativa de cada pessoa com sua casa vai além do abrigo e da proteção. A conexão é de tal intimidade que se pode manter um diálogo com ela, ouvindo sobre o que é importante, sobre o que não é possível esquecer ou desconsiderar. A casa pode ser considerada como sagrada a partir de um enfoque de reservatório do essencial, preservando a vida e a história do homem que ali vive.

Num contexto psicológico, é possível associar ao local de moradia significações transpessoais para se efetivar mudanças importantes num processo evolutivo de auto reconhecimento. Atuar na própria residência pode gerar alterações no universo interno, maximizar insights e oportunizar maior conexão com as próprias emoções.

Podemos redescobrir e respeitar a função dos arquétipos presentes em nossa moradia. Segundo Gaston Bachelard, a casa tem um sentido de interioridade, seus andares, porão e sótão podem simbolizar os diversos estados da alma. Igualmente um símbolo feminino no seu aspecto de amparo e proteção maternal, um espaço fechado tal qual o útero e o colo que acolhe a criança na sua ausência de racionalidade.

Thomas Moore, Ph.D., escritor, psicoterapeuta e ex-monge, associa toda residência a um microcosmo representativo de um mundo arquetipal, incorporada de significados psicológicos a partir de uma vinculação via sentimentos amorosos, do seu residente com este verdadeiro espaço de pertencimento.

Robert Sardello, psicoterapeuta e pensador, também evoca aspectos arquetipais da moradia quanto ao desejo do homem de sentir-se em casa no mundo. Muito mais do que um espaço físico, neste local acontece uma atividade da alma. Segundo ele, cada cômodo possui uma estrutura distinta que anima os diferentes aspectos da alma.

James Hillman, psicólogo junguiano, defende a relação dos hábitos dos residentes com suas residências associando a vida interior com os locais de moradia. Ele sugere que problemas psicológicos podem ser consequência do design interior, que a repressão se origina “da falta de alma dos ambientes que habitamos.”

Ao considerar a casa um reflexo da nossa psique, através da representação daquilo que somos, afetando nossa personalidade e todo nosso mundo emocional, ela também pode nos ajudar a compreender com maior profundidade significações psicológicas deste local de pertencimento, seja em associações arquetípicas ou em ressonâncias míticas.

Ao efetivar mudanças, arrumações, organizações neste ambiente, também podemos desencadear um processo de transformação de forma pela qual até então nos conhecemos, podemos oportunizar uma reaproximação com a própria essência, acessar uma totalidade do Ser, integralizando desejos, aspirações, metas, sonhos.

Podemos aguçar o olhar pra as escolhas que fazemos em relação a este espaço de habitação para nos conhecermos um pouco mais. Possivelmente projetamos nossos gostos, preferências, valores na escolha dos objetos, móveis, decoração de nossa casa.

Lucimara Stráda, nov/2012 - www.harmonizare.com.br

Receita para manifestar Milagres

Milagres somente podem se manifestar quando nos colocamos em uma posição de Abertura e Rendição , e quando, corajosamente, desistimos de ten...